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Programa Encontro - TV Globo

Imagens do meu trabalho apresentadas de 11 a 15 de dezembro de 2017 no programa Encontro da TV Globo.
Vídeo: https://globoplay.globo.com/v/






Publicado em 17/03/2018

Jornal Voz das Comunidades

O jornal de circulação nacional Voz das Comunidades, em sua edição de n° 28, publicou foto e relato de minha experiência no Cumbe, em Aracati (CE). Abaixo segue a imagem com a matéria e em seguida o texto para melhor leitura:
 

Um lugar lindo com rio e mar, mangue e dunas, que até sítio arqueológico tem. Assim eu apresento rapidamente o Cumbe, onde estive por algumas vezes entre dezembro e fevereiro de 2015/16.Chego por lá num momento de festa, a II Festa do Mangue. Festejo onde se percorre o território para entender as práticas tradicionais, e assim afirmar a identidade desta comunidade reconhecida como quilombola. Aliás, Cumbe em alguns países latino americanos significa quilombo e este, por sua vez, sempre esteve associado à luta e resistência.

Aracati é nome de vento, aquele que sobe contra o curso natural das águas do Jaguaribe, soprando forte pelo sertão adentro do Ceará, levando frescor de mar, mexendo com o real e imaginário de quem à margem do rio está. Aracati também é o nome do munícipio de onde parte a Estrada da Canavieira, que nas visitas seguintes me levou ao Cumbe após 10 km de pedaladas em estrada carroçal, por entre criadouros de camarãovigiados dia e noite como ouro de tolo. É a carcinicultura, técnica de criação de camarões em viveiros, que destrói o manguezal com toda sua biodiversidade e funções ecológicas, criando ameaças ambientais, culturais e socioeconômicas à comunidade tradicional. Esta mesma indústria do camarão também ameaça contaminar os lençóis freáticos da região, que de tão abundantes em água doce, pude presenciar um poço artesiano cavado na praia a poucos metros do mar.

É pra chegar nesta praia, que por toda a parte se avista também os monumentais cata-ventos. Bonitos e simbólicos, que pela forma poderiam ser arte, se o conteúdo não favorecesse aos covardes. A empresa de energia eólica, sob o disfarce de Bons Ventos, privatiza as dunas bloqueando caminhos e territórios tradicionais da população local, gerando energia que amplia contas bancárias já estufadas ao longo da história mal contada do Brasil. Não cumpre as promessas de melhorias sociais na região, feitas aos moradores após tantos transtornos no cotidiano destes,nem os contempla com a tal energia gerada, mesmo com torres e fios de alta tensão passando sobre suas moradias.

Eu que acho cata-vento bonito, mas horrível a covardia dos opulentos, me admirei mesmo foi com os artesanais, estes feitos das carnaúbas que estão por toda parte e que também encantam pela forma com que trazem água do rico subsolo para dar de beber as pessoas, animais e plantas. É com um destes dentro do quintal que se água uma grande horta na casa do João, o João do Cumbe, onde ao caminhar pela tão variada plantação de legumes e verduras, chega-se aos fundos do quintal com a duna se apropriando do terreno. Sobre ela se avista outras mais, com a areia sempre correndo baixo de um vento que sopra constantemente, expondo uns e cobrindo outros locais onde se preservaram evidências de atividades do passado histórico. São fragmentos de cerâmicas e pedras utilizadas como ferramentas pelos antepassados que viveram ali, fazendo deste lugar um sítio arqueológico.

Isto que eu conto aqui é uma tomada de conhecimento que se dá principalmente através da vivência na comunidade, já que sentir vai além de saber. Acompanhando a cata do caranguejo ou a pesca de arrasto no mar com Ronaldo, Reginaldo e outros pescadores, subindo e descendo rio com Carlinhos e Cristiano, caminhando pelas dunas com João, pedalando com Tiana e Victor, proseando com Dandina e as Donas Zuíla e Raimunda, uma visita e outra vizinha da Maré, é que se aprende mais sobre o Cumbe. Assim sentimos a intensidade do nosso povo, com suas belezas e a urgência da luta contra os intrusos do mangue e das dunas.

A Maré que cito aqui é das Artes. Casa Maré das Artes, sempre cheia de crianças, é o espaço cultural independente mantido por Titi, Mari e Ton, que somam nesta resistência com os moradores e que no Cumbe me permitiu uma breve residência. A ponte que me proporcionou conhecer outros visitantes, conviver com os nativos e a partir disso elaborar uma pintura realizada no muro em demolição onde se prepara terreno para erguer o Museu Arqueológico. Nesta intervenção efêmera está o caranguejo, símbolo do mangue, com o ideograma africano Akoben pairando sobre sua cabeça (Akoben: chifre da guerra, simboliza a vigilância) que alguns moradores locais nomearam a pintura como “o caranguejo guerreiro pronto pra guerra”.

Que Palmares e Ambrósio, como símbolos quilombolas históricos,também pairem sobre nossas cabeças fortalecendo a resistência atual.

Emol

Abril/2016




Postagem em 12/01/2017

Programa Conexões Periféricas - Fortaleza CE

Participação no Conexões Periféricas, programa realizado pelos jovens comunicadores do CUCA Barra (Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) na cidade de Fortaleza e apresentado na TVC (TV Ceará) em 02 de Julho de 2016. O 5º programa desta segunda temporada teve por tema a cultura Hip Hop, onde participei no bloco Papo Selfie, falando um pouco de minha trajetória e respondendo a perguntas enviadas por e-mail.


Publicado em 02/09/2016

Programa Estação Periferia

Disseram que passou na televisão. Acredito, só não vi. Foi tempos atrás na TV Brasil, com apresentação de Hot Black, mano que conheci nas andanças pelo país. Estação Periferia é o nome do programa. O objetivo, segundo ele, é mostrar alguns pontos de vista da realidade das periferias brasileiras. Preferencialmente pontos positivos.
É... existem! Creiam. Pois a realidade não é (só) o que o povão vê na hora do almoço em programas sensacionalistas, destes ligados a atividades criminosas que fazem com que gente da gente tenha medo da gente (tipo correr da própria imagem no espelho). Algo proposital e comum a estes verdadeiros criminosos (da comunicação) que impõem padrões físicos e de comportamento, transformando nossa cultura (traços físicos, expressão corporal, modo de vestir e falar, hábitos cotidianos) em estereotipo de bandidos.
Mas, sem me alongar muito nas criticas ao caixote iluminado escravista, segue uma outra referência de realidade. Partilho aqui o que tive acesso recentemente pela internet, o programa gravado em 2011 durante meu "perambular" por Recife, Pernambuco.



Programa Completo

Publicado em 29/03/2014.

Rolê em Maceió e Mídias Locais II

Nesta mesma passagem pela capital alagoana também rolou uma entrevista para o Eu Quero Ver, programa produzido pela Central Única dos Trabalhadores, exibido na TvCom, canal 12 da Net, para a cidade de Maceió.
O trecho que segue abaixo faz parte da edição exibida em 02 de Dezembro de 2011, onde falo sobre alguns de meus projetos, entre eles o Rolê Brasil que me levou ao estado.
Agradeço o espaço, em especial nas figuras de Rogério Dias, Zazo e Pablo Gomes.

Rolê em Maceió e Mídias Locais

Algumas mídias locais da capital alagoana divulgaram o trabalho que realizei por lá, publicado aqui na postagem anterior. Trata-se de uma nota no periódico impresso O Jornal e uma matéria na TV Alagoas, filiada do SBT no estado. Pena que ambas trouxeram informações incorretas e por isso julgo considerável me manifestar para esclarecer alguns pontos importantes:

Nota Impressa:
Ao contrário do que diz a nota que segue em imagem abaixo, não trata-se de "recuperação de postos" e sim uma intervenção artística em um ÚNICO posto onde me apropriei da edificação para criar o trabalho a fim de provocar e alterar a percepção de quem por ali passa, além de chamar atenção para locais em desuso como este que podem ser utilizados para outros fins em prol da população.
Não trata-se também de um GRUPO de artistas e sim de um trabalho individual que realizei de forma INDEPENDENTE, arcando inclusive com os custos de todos os materiais utilizados.

Matéria de TV
É notório a distância que a divisão de classes sociais e sua decorrente formação de pensamentos criou entre as pessoas que há muito não se veem como iguais. Dentro disso, fica nítido a posição que o apresentador da matéria no vídeo abaixo toma com seu discurso desconexo, tendencioso, conservador e sensacionalista ao citar o lugar como abrigo de bandidos e o outro ponto como local de uso de drogas e divisão de produtos de roubos por parte dos sem teto e sem terra, além de citar pichadores sem nenhuma necessidade.
Em uma semana que frequentei este espaço entre projetar, realizar e fotografar a obra, conheci diversas pessoas e nenhuma delas se enquadrava no adjetivo de malfeitor, como a palavra bandido sugere, mas sim como vítimas de um sistema de produção e política que favorece interesses econômicos.
Sem teto e sem terra, no consciente popular, já se desenvolveram como nomes de movimentos de resistência e luta por moradia e terras para produzir. Associar o uso de drogas e roubo a estes grupos é descaracterizar o real sentido da busca destes e mais uma vez formar a opinião pública contra o interesse dos não favorecidos dentro desta sociedade classista.
Fica difícil acreditar na simples desinformação ou ingenuidade do repórter e produção do telejornal ao realizar uma matéria assim, bem como na informação sem fontes da nota impressa, mas estamos sóbrios e seguimos no sentido das alternativas de transformação que almejamos. Cada um a sua maneira, é verdade, mas como parte da mesma multidão.

Upper Playground - Entrevista

Na última terça-feira foi publicada no espaço The Citrus Report do site Upper Playground uma entrevista comigo.
Só Clicar Aqui para conferir o conteúdo com as imagens no site ou leia o original abaixo na versão em português;


Voce sempre usou cores tao vibrantes?
Cores vibrantes sempre atraíram minha atenção, mas foi através de um processo com muitas experiências que cheguei a pintura atual.

O seu trabalho parece um hiroglifo moderno. Voce sente como se estivesse comunicando em uma lingua diferente atraves da sua arte?

Eu considero meu trabalho uma espécie de antena e raiz, capta o que é atual, mas tem forte ligação com o passado, com a ancestralidade.
Isto é algo que valorizo muito.

Como que o seu trabalho tem desenvolvido na sua mente? Eu percebi que alguns anos atras você estava fazendo trabahos que pareciam Throw Ups, mais do que as formas limpas que voce parece estar envolvido nesses dias...
Meu trabalho se desenvolve em diferentes linguagens porque só a pintura não me satisfaz.
Eu ainda faço Throw Up porque gosto de escrever na rua. Atualmente não escrevo meu nome. Eu escrevo palavras que levem para as pessoas uma mensagem mais útil do que apenas dizer que “Eu Existo”. Busco algo com mais conceito e que seja facilmente compreendido pelas pessoas.
Isto é um entre outros projetos artísticos que desenvolvo além da minha pintura.

Você tem algum novo projeto em andamento?
Tenho vários projetos em estudo ou em andamento, mas minha mãe sempre diz: "não conte seus planos antes que eles aconteçam, faça primeiro e depois fale". Eu costumo seguir este conselho dela (risos).


Você prefere rua ou galeria? por que?
Eu gosto da rua porque eu exploro ambientes e ela oferece mais possibilidades. A rua deixa a arte mais acessível para todo o público.
Mas a galeria também é um ambiente para ser explorado.Eu gosto de ter minha arte em todos os espaços.
Eu sou facinado pelo Brasil, sua densidade, historia e cultura. Como que voce sente que o seu pais tem influenciado seu trabalho?Pela minha própria história neste universo. Eu gosto muito de futebol e meu primeiro contato com pintura foi produzindo bandeiras para o time que eu gosto. Eu gosto muito de samba e trabalhei em barracões de escolas de samba onde aprendi a trabalhar com outros materiais. As cores deste país tropical talvez influenciem também meu trabalho de arte.
O Brasil é um país de distintas culturas. Cada estado brasileiro parece um país diferente. Por isso, desde novembro de 2009, estou viajando na direção nordeste deste país para conhecer mais sobre as culturas locais. Atualmente estou em Salvador, no estado da Bahia (estado brasileiro com maior influência africana).
Sou muito ligado a cultura popular, às manifestações do povo. Gosto de ser mais uma pessoa sorrindo no meio da multidão porque sorrir é necessário para viver bem. Mas tenho a consciência de que o Brasil é extremamente racista, um país em guerra civil não declarada, analfabetismo, alienação e a maioria das pessoas não sabe disso. Isto também me influencia a desenvolver atividades paralelas a minha produção artística; sou Produtor Cultural e um dos coordenadores de uma organização chamada POVO (nome com duplo sentido; ao mesmo tempo que designa conjunto de pessoas também é a sigla para Pessoas Organizadas Vencem Opressão)
http://www.povo-povo.blogspot.com/

Se voce pudesse viajar para uma lugar nesse mundo aonde seria e por que?
Vários locais. Eu daria uma volta ao mundo para conhecer as cidades, povos e culturas, porque em todo o mundo há algo interessante para aprender.

Voce deveria vir para os Estados Unidos e fazer a nossas ruas mais bonitas.
Sim, eu quero ir para o EUA para produzir algo, mas eu não acho que a minha arte deixa a rua mais bonita ou menos bonita. Ela é uma intervenção que altera o espaço e propõe um novo olhar e pensamento sobre este. O belo é uma reflexão de cada olhar.

Como que voce mede o seu sucesso como artista? O que importa mais; como voce se sente sobre o seu trabalho ou vendo como os outros reagem?
Eu não costumo medir meu sucesso. Eu faço arte porque eu gosto e acredito que seja útil para o desenvolvimento humano. O conhecimento que a arte gera, todas as experiências de vida que a arte proporciona são muito ricas, para o autor e para o público. O sucesso é o percurso, não o ponto de chegada.Obrigado Emol! Voce pode vir pintar a minha sala?Nós falaremos mais sobre isso no e-mail particular (risos)