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Antologia e Coletânea Perifatividade 2

Tem atividade na periferia e perifa na atividade. A margem na qualidade de ativa; Perifatividade, viva! Multiplicidade de trabalhos e ideias de nossa gente. Prontidão. Elementos que formam multidão.Na contra mão dos comerciais, a cultura que vem dos conjuntos habitacionais. Das vielas, ladeiras e escadarias, fazendo o que nenhum PC Farias. Trazendo o livro como alimento pra um povo empanturrado de massa.
Antologia volume 2 é a refeição da vez. Saudável. Preparada lá no fundo. No fundo não, no Fundão (do Ipiranga e do coração). Nesta periferia também com bares aos milhares, há um sereno que tem mais que remédio e veneno. No Bar do Boné tem literatura como principal porção. Porção que sustenta a evolução da mente humana que profana contra os deuses da ignorância. Sustância.
No Bar do Boné a Perifatividade é Sarau. "Social, político, racional, racial". É organização. É ousar propor contra a dor da injustiça que fere a cada pedido de paz que não admitimos. Pois somos de guerra e agora atiramos também com prosas e poesias. Afinal, “en la lucha de clases todas las armas son buenas; piedras, noches, poemas”.


Abaixo segue flyer, imagens do livro por Thomas Losada e meu poema publicado


Doce Infância


O tempo 
Tinha cheiro de brinquedo novo

Descoberto a cada dia
Como figurinha em envelope
Apenas preenchia a vida
E a alegria
Reluzia como pão doce

Sem força pra carregar 
Peso na consciência
Nem polícia pra prender
Ladrões de sorrisos
Disparando gritos de inocência
A meninice era tudo que quisesse
Maradona se três dentro fosse
Tafarel se três fora desse

Era compositor de gererê
Piloto de capucheta
No chão o palavrão
Escrito com vareta

O balão era mágico
E os sonhos
Como bolas de sabão
Bailavam no ar

Namoro era fácil
No meu olhar
Sem ela sequer saber
E sem beijo
Porque gostoso mesmo
Era doce de leite com queijo




* Postado em 15/03/2013

Poema na Laboratório de Poéticas

Mais como exercício de criatividade do que com a pretensão de ser poeta, as vezes me arrisco a escrever alguns poemas. Dentre estes, um foi publicado recentemente na 9ª edição da Laboratório de Poéticas,  revista impressa e digital que trata da diversidade cultural na cidade de Diadema e também faz diálogos com "outras margens" no país e exterior.
Abaixo segue a capa da mesma e o poema publicado:


Vida Maria

Gira terra, mundo seco
Vida Maria gira
Menina José, moça Aparecida
Mulher de Lourdes, senhora das Graças
E o tempo passa
A pele de uva passa
Roda viva gigante roda
Leva traços de desenhar futuro
Em goles amargos de angustia.

Lata na cabeça, peso na mente
Soca pilão, planta semente
Nasce o sol, escorre o sal
Espera chuva, espera filho, espera.
Espera, espera, espera.

Esperanças pedem a benção
Pra chegar, pra sair, pra dormir
E sonham.
E no sonho se vão, um a um
Como destino catando feijão
Sobre as vidas secas do desertão.

Vão pintar a sina sem esboço
Numa paleta de cor-agem,
Incertezas e saudades
E as Marias à espera de milagres.